Lendas da Região Nordeste

O Brasil é bastante diverso culturalmente e, por consequência, o folclore do país também.

As lendas são parte importante das tradições folclóricas, e cada região brasileira possui histórias ou versões diferentes.

Selecionamos 8 lendas presentes na região Nordeste para que você conheça mais sobre esses mitos fantásticos que encantam - e amedrontam - as pessoas ao longo dos anos. Confira!

  1. Lenda do Quibungo

 

Segundo essa lenda, que é muito contada na Bahia, o quibungo seria um monstro que persegue crianças rebeldes.

A aparência da criatura se assemelha a do bicho papão. Ele é peludo como um lobo, muito feio e malvado, e possui uma enorme boca cheia de dentes nas costas.

O bicho persegue as crianças que se recusam a dormir e que fazem malcriações. Quando capturadas, as crianças são devoradas e instantaneamente digeridas.

  1. Lenda do Papa-figo

 

Segundo conta a lenda, esse ser é um homem velho e maltrapilho que vive perambulando com um saco nas costas onde guarda os ossos das crianças que ele capturou.

Também conhecido como "homem do saco", essa figura teria a intenção de pegar crianças para comer seus fígados, por isso o nome "papa-figo".

Em algumas versões, ele teria a aparência de um homem idoso, em outras possui também grandes orelhas e dentes de vampiro.

A história é contada para as crianças com a finalidade de causar medo e de afastá-las de estranhos.

  1. Lenda do Barba Ruiva

 

A lenda do Barba Ruiva está relacionada à criação do rio Paranaguá, no Piauí.

Segundo os moradores contam, havia uma moça que engravidou do namorado e ficou muito triste. Envergonhada e em desespero, ela teve a criança, colocou-a em um tacho de cobre e pousou-a sobre um riachinho.

A Mãe-D'água, que vivia no riacho, ficou com raiva da situação e criou uma grande enchente, deixando as águas encantadas, de onde um choro de bebê era evocado. Era assim que nascia o Rio Paranaguá.

Depois disso, conta-se que um homem começou a sair das águas do rio. De manhã, ele surgia como um menino; à tarde como um jovem de barba ruiva; à noite, como um velho de barba branca.

Esse homem emerge do rio com a intenção de agarrar as moças que vão à beira do Paranaguá bater roupa. Conta-se que se ele for abençoado por uma dessas mulheres, o feitiço se desfaz.

  1. Lenda da Cabra Cabriola

 

Cabra Cabriola é uma lenda contada principalmente em Pernambuco e teve origem no fim do século XIX.

Segundo contam, essa personagem é metade cabra, metade monstro, possui dentes afiados e um cheiro fétido.

Ela vive procurando por crianças para se alimentar, mas também ataca pessoas que andam nas ruas sozinhas durante a noite.

O pior, é que o caprino também tem a habilidade de entrar nas casas a procura de meninos desobedientes.

  1. Lenda da Cidade Encantada de Jeriquaquara

 

Jeriquaquara, no Ceará, possui uma lenda sobre uma antiga cidade encantada que existia no local onde está hoje localizado um farol.

Era uma cidade incrível e próspera, onde vivia uma princesa que foi enfeitiçada e transformou-se em uma cobra. Com escamas douradas, ela manteve a cabeça e os pés de mulher, sendo uma figura abominável.

Ela deve ser desencantada com o sangue de algum humano, sacrificado para que volte a ser princesa e a cidade volte a existir.

Como nenhuma pessoa deu sua vida para que o feitiço seja quebrado, a princesa-cobra continua enclausurada.

  1. Lenda da Alamoa

 

Essa é uma lenda presente no arquipélago pernambucano de Fernando de Noronha.

Lá, conta-se que existe uma mulher vivendo numa elevação rochosa perto do mar, o Pico, que tem 323 metros de altura.

A mulher tem aparência de alemã (por isso o nome "alamoa"). Branca, de cabelos e olhos claros, a moça encanta os homens, atraindo-os à sua morada.

Quando chegam ao Pico, a Alamoa se transforma em caveira e joga os homens do penhasco.

  1. Lenda do Cabeça de Cuia

 

Existe uma história envolvendo o Rio Parnaíba, que divide os estados do Maranhão e Piauí.

Conta a lenda que havia uma família muito pobre. A mãe preparava sopas ralas para seu filho e colocava ossos na preparação.

O menino - de nome Crispim - certo dia se revoltou com a escassez de alimento e atirou o osso da sopa em sua mãe, que morreu atingida na cabeça.

Mas, antes de morrer, a mulher amaldiçoou o filho, obrigando-o a vagar pelo rio com a cabeça enorme, em forma de cuia.

A maldição só seria quebrada se Crispim matasse e comesse sete virgens de nome Maria. O menino então se desesperou e se matou, afogando-se no rio.

Desde então, seu corpo não foi encontrado e dizem que seu espírito continua vagando em busca das virgens.

  1. Lenda da Comadre Fulozinha

 

A Comadre Fulozinha é uma personagem folclórica bastante conhecida no nordeste, principalmente na Região da Mata, que inclui Pernambuco e Paraíba Lá ela é chamada também de "Mãe da Mata".

Segundo conta a lenda, essa figura é uma cabocla de longos cabelos negros que vive pela floresta protegendo as plantas e animais. Por conta disso, pode ser confundida também com outra personagem do folclore, a caipora.

A Comadre Fulozinha pode ser muito amável, mas torna-se bastante maldosa com homens que adentram a mata para caçar ou desmatar. Ela usa seu assovio para deixá-los atordoados e perdidos na floresta.

Além disso, ela gosta de fazer nós nas crinas de cavalos e assustar as pessoas que não levam mingau para ela como oferenda.

Laura Aidar

Arte-educadora, pesquisadora e fotógrafa. Licenciada em Educação Artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2007 e formada em Fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design, localizada em São Paulo, em 2010.